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riscos_e_rabiscos

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Ponto De Situação

          

 

Não sei o que fazer. Estou a chegar a um ponto labiríntico. Já me fartei de chorar hoje.

 

A minha mãe não pode ficar sozinha em casa e nem eu posso faltar ao trabalho.  Começo a faltar ao trabalho, sou dispensada.

Por este dois motivos, uma vizinha amiga fez o favor impagável de ficar de tarde com a minha mãe nestes últimos dois dias.

 

Hoje cheguei a casa, fui ver como ela estava e o que tinha comido. É então que a minha vizinha me diz “ eu só a vi beber água” e ela manteve-se calada, por isso essa é a verdade.

 

Fiquei muito decepcionada e revoltada. Ando sempre de volta dela para ver o que quer comer a dar sugestões mas ela é super esquisita.

Tenho tido umas semanas que ninguém imagina. É tratar dela, do resto da família (que chega a casa e não gosta da comida), da casa, das minhas coisas da escola com todos os minutos mais que recontados pois tenho de sair de casa quase sempre por volta do meio-dia ou antes. Geralmente o meu almoço é um bocadinho de pão comido à pressa e uma maçã roída no autocarro. O stress não me deixa comer, não consigo.

 

E é aqui que a decepção e a revolta entram. E hoje passei-me. Disse-lhe duas que ela não deve ter gostado.

Avisei-a que se quer morrer que diga logo e caso ela não faça um esforço, vou pedir à médica para a internar no hospital.

Virei costas lavada em lágrimas.

 

Opa, será que é tão difícil fazer um esforço para engolir algo? Será que é muito difícil esquecer as suas esquisitices, pelo menos, até melhorar? Será que eu não mereço que ela se esmere um bocadinho e vá comendo umas coisinhas?

 

Se não o faz por ela, pelo menos que o faça por mim.

 

Reflexão

 

Hoje sinto-me assim a modos que para o decepcionada, desiludida e com uma sensação de vazio.

 

Deparei comigo mesma a reflectir sobre a minha vidinha neste mês de Agosto e a sentir-me perfeitamente estúpida.

Levantar-me às 6.30, apanhar o autocarro – rezando fervorosamente para não o perder – chegar ao colégio super cedo, ir até ao café antes de entrar para fazer tempo (sim, porque há pais que ainda não está na hora de abrir o colégio já eles lá estão e eu detesto abusos), limpar as mesas com desinfectante – o que não me compete, mas enfim! -, começar a receber crianças, aturar fitas de crianças mal-educadas com o maior sorriso do mundo nos lábios quando a vontade real era dar umas palmadas nos rabos dos papás pois os meninos estão assim porque não lhes ensinam regras.

 

Depois vamos brincar para o recreio, segue-se a hora de almoço com as tradicionais fitas de “não gosto da sopa” ou então na variante “a sopa tem pêlos”. Fraldas mudadas, mãos lavadas, xixis feitos e ala pra caminha dormir a sesta.

 

Depois é a minha vez de fazer a minha hora de almoço. Que se pode fazer naquele tédio, numa zona tão mortiça? Continuar a trabalhar!

Lá pego eu nos meus livrinhos e vou tratar das planificações para o próximo ano.

 

Hora do lanche. Falta pouco para eu sair. Pego nas minhas coisas e vou apanhar o meu autocarro rumo a casa. E assim se passou mais um dia de trabalho chato e sem graça nenhuma. É que este ano nem actividades dá para fazermos com as crianças pois as disparidades de idades é muito grande e não me pagam para ser a mulher dos 7 ofícios.

 

É que aqui a parva já vai deixando de ser parva… um bocadinho… Se não sirvo para umas coisas também não sirvo para outras. I’ll tell you someday.

 

Egoismos e Ganâncias.

 

 

Há várias coisas que me fazem sair do sério. Principalmente, se disserem respeito a crianças e animais.

 

No meu dia de aniversário, havia também no colégio outra menina que fazia anos, como acho que já tinha contado.

É uma criança filha de pais portugueses mas que vivia num país anglo-saxónico só que agora veio para Portugal, ficando a viver com a tia.

Neste momento, encontra-se em processo de adaptação quer à escola, quer à língua materna.

 

Durante toda a semana a tia da menina andou a falar de um bolo de aniversário, querendo saber quantas pessoas estariam no colégio para poder fazer a encomenda do bolo.

Assim sendo, optei por não levar bolo de aniversário para a escola pois os miúdos não comeriam tanto bolo.

Decidi levar uma sobremesa e oferecer um saquinho com guloseimas a cada uma das crianças.

 

Chegado o dia do nosso aniversário, ao deixar a miúda do colégio, a tia entrou para me dar os parabéns. Reparei que vinha com as mãos vazias mas pensei que iria levar o bolo mais tarde.

É então que ela me diz que como os tios, os primos e mais um par de botas não podiam entrar nos colégio para cantar os parabéns à miúda, não iria trazer bolo de aniversário.

 

A minha cara caiu ao chão e só me lembrei na tristeza que a criança deveria sentir e da minha burrice por não ter levado um bolo. Fiquei com um nó n garganta e com uma revolta tal que só me apetecia engolir a tia. Não foi só a sobrinha que foi enganada mas também todas as outras crianças. A tia podia ter feito um bolo em casa ou comprado um qualquer no supermercado. Isso bastava.

 

É usual no colégio, sempre que uma criança faz anos, levar um bolo de aniversário para soprar as velas com os coleguinhas.

Se esta criança se encontra em processo de adaptação, não precisaria ainda mais de um bolo aniversário para soprar as velas na escola?

Não será o “bolo de aniversário” um símbolo de união, ligação e interacção entre as crianças?

Mas o dinheiro e o egoísmo dos adultos sobrepõem-se sempre aos interesse e bem-estar das crianças, infelizmente.

 

Como viram a decepção e a raiva estampada na minha cara, a C. e a P., secretamente, foram comprar um bolinho ao supermercado para nos fazer uma surpresa.

Os parabéns foram cantados a mim e à miúda que ficou radiante. A cara dela adquiriu um sorriso rasgado e os olhinhos dela brilharam.

Isto não vale mais do que o dinheiro de um bolo de aniversário?

 

Conceitos de Amizade

Como já todos sabem, eu sou muito sensível. Sou assim em vários sentidos e por vários motivos. Muitas vezes fazem-me coisas que me magoam profundamente e eu engulo-as e fico calada.

 

Estou danada e magoada. Mas isto já não é de hoje e não é só com uma pessoa. Começo a pensar que já não tenho amigas nem com quem contar. A sério.

Acho que as minhas amigas só se lembram de mim quando não têm mais ninguém. É assim que eu sinto, mesmo que isto não seja verdade.

Acredito que a minha presença nas suas vidas não tem importância nenhuma. Sinceramente.

As suas vidas estão sempre muito ocupadas e cheias de trabalho – como se a dos outros também não estivessem – e nunca têm tempo para nada. E depois oiço-as contar-me que estiveram com esta e com aquela e que foram aqui e ali e que fizeram isto e aquilo.

Como é que vocês acham que eu me sinto? Pois claro, sinto que não tenho importância absolutamente nenhuma e fico arrasada. Mas encaro tudo com um sorriso nos lábios.

E ainda acho mais piada quando vão a todo o lado e mais algum com pseudo-amigas. E mais piada acho ainda quando não são capazes de se lembrarem de mim, de me convidarem onde quer que seja para ir. Grátis ou não. E não aceito a desculpa do morar longe. A única que não tem carro sou eu e nunca isso foi impedimento de ir a lado algum. Eu não sou assim.

E depois ainda há a parte de que sou sempre a última a saber as novidades… Quando eu tenho alguma alegria, as primeiras pessoas com quem partilho são as minhas amigas. Mas, pelos vistos, para elas, eu não estou incluída no rol. E nem sirvo para conhecer as pessoas novas que entram nas suas vidas… Não há cá misturas!

 

Devo ser uma pessoa realmente desinteressante. Ou então só tenho interesse entre quatro paredes que é para ninguém nos ver juntas. Ou então, e é a hipótese mais provável, preferem mesmo estar com outras pessoas. Eu é que devo pensar que tenho uma importância que na realidade não tenho. Pois eu tenho as minhas amigas em alta consideração e estimo-as muito. Não sinto o contrário.

 

Lá por ter um ordenado miserável e ter um namorado, não significa que esteja morta já. Gosto de ver coisas e pessoas, gosto de falar e estar com as pessoas de quem eu gosto… mas não sei até que ponto isso é recíproco.

 

Preciso de reflectir sobre isto mas tenho medo de o fazer. De chegar à conclusão que não tenho mesmo nenhuma amiga com quem possa contar. De descobrir que  ainda estou mais sozinha…

 

O Dia Mais Importante do Ano

“Um nascimento representa o princípio de todo - é o milagre do presente e a esperança do futuro.”
 
Fez ontem alguns anos que nasceu uma menina às 12.15, no hospital de Santa Maria. O seu nascimento foi de muita alegria e felicidade para os pais.
 
Nasceu num dia do mês cuja simbologia apontava para um futuro perfeito, composto por ciclos cheio de mudanças e renovações positivas.
Até os dois primeiros nomes que lhe atribuíram tinham um significado curioso: amiga do canto e escolhida por Deus.
Teve a infância feliz a que todas as crianças têm direito. Levava os dias a brincar com as suas amigas, ensaiando, com as suas bonecas, cenas imaginárias de uma vida futura, andava de bicicleta e devorava todos os livros com que se deparasse.
Adorava a escola e era uma excelente aluna. As férias para ela eram um drama.
 
 
Os pontapés da vida fazem-nos crescer e aprender ou, pelo menos, dão-nos instrumentos que nos permitem ficar alerta para não cairmos no mesmo erro duas vezes. A mim, aqueles, arrasam-me, afundam-me mas a minha força motriz interior, lentamente, faz-me erguer novamente a cabeça e dizer: ”estou pronta para outra!”
 
Hoje deveria ter sido um dia muito alegre mas não o foi, pelo menos em parte. As pessoas que são importantes para mim não me esqueceram e todas tiveram um voto sincero para me desejar. Apenas foi ensombrado pelo facto do N. não ter passado o dia comigo e nem sequer vir no próximo fim de semana, de novo.
Há dias assim…
 
Mais um ano se passou, mais dificuldades foram ultrapassadas e outras acrescentadas. É tempo de reflexão, de escolhas e opções, de luta e conquista. Há que definir novos objectivos e traçar caminhos. Há que ir à luta para superar aqueles obstáculos que teimam em manter-se no nosso caminho, independentemente das estratégias que utilizemos.
A vida é composta por isto mesmo.
 
 
Áqueles que também fazem anos hoje, os meus parabéns e votos de muita felicidade e sorte na vossa vida.
 
P.S. – Este post deveria ter sido colocado ontem mas não o fiz devido à hora tardia que regressei a casa. No entanto, não quis deixar de fazer uma reflexão muito sucinta do dia, que para alguns não tem importância nenhuma, mas para mim é o dia mais importante do ano.